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Valorização da cultura negra como mote

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O blog já tem mais de cinco mil seguidores

O blog já tem mais de cinco mil seguidores (Foto: Augusto Baptista)

O movimento de valorização da cultura negra vem ganhando cada vez mais força através de iniciativas encabeçadas por uma geração que está cada vez mais empoderada. O afro hoje está em blogs, eventos, feiras, movimentos, discussões na internet, etc. O eixo da moda está cada vez mais se deslocando do centro para outras áreas da cidade e o blog “Coisa de Menina Indecisa” faz parte desta transição.

O site da internet pertence à Priscila Barbosa, que tem 28 anos e mora em Duque de Caxias. Nele há dicas de moda, desabafos e, principalmente, valorização da autoestima. “O blog é uma extensão de quem eu sou. A gente procura dar visibilidade para as belezas negras, inclusive como forma de combate ao racismo”, explica Priscila Barbosa, que lançou o blog em 2009, após perder a mãe para o câncer.

A página era um espaço de desabafo e troca de experiências com o objetivo de aumentar a autoestima das leitoras. Escrevendo, Priscila viu a oportunidade de superar um momento de perda e ainda ajudar outras meninas.

Com mais de 5 mil fãs, o “Coisa de menina indecisa” também ocupou as redes sociais. O trabalho de Priscila chamou a atenção de empresas e atraiu alguns patrocinadores, mas ela garante equilibrar as coisas. “O blog é um canal de diálogo e acolhimento, não posso ‘assustar’ enchendo de anúncios. Não é apenas um hobby, também encaro como um trabalho e preciso muitas vezes ter horário para começar e para terminar”, afirma.

Novos negócios

Em seu blog Priscila dá dicas de moda e estilo de vida. (Foto: J C Angelo)

Em seu blog Priscila dá dicas de moda e estilo de vida. (Foto: J C Angelo)

Para este semestre Priscila está empenhada em lançar o projeto #AutoEstimaDiva, um trabalho em parceria com o fotógrafo Augusto Baptista que contará, inclusive, com palestras. “Este projeto tem como missão elevar a autoestima de mulheres que passaram por alguma dificuldade na vida ou estão em alguma fase de descoberta que muitas vezes lhe enchem de medos e dúvidas. O reconhecimento e valorização dessas mulheres aconteceu através de sessão de fotos em sua primeira edição e agora ganhará uma roupagem toda nova”, explica.

Tanto engajamento rendeu à blogueira o status de garota propaganda da Feira Crespa, uma feira de empreendedorismo negro que teve sua última edição em julho. Assim como aconteceu com Priscila, a ideia da Feira Crespa nasceu de uma jovem que buscava mais representatividade da cultura negra nos espaços. Ela queria criar um projeto que incentivasse a valorização da beleza das mulheres negras como ela e de elementos da cultura afro-brasileira dentro da periferia onde vive, a Pavuna. O desejo de Elaine ganhou corpo depois de ganhar o apoio pela Agência de Redes para Juventude – e já está em sua terceira edição.

Voando para longe

A Feira deu a oportunidade de Elaine viajar até Stanford, nos EUA, para falar de sua iniciativa

A Feira deu a oportunidade de Elaine viajar até Stanford, nos EUA, para falar de sua iniciativa (Foto: Arquivo Pessoal)

O que Elaine Rosa não podia imaginar é que sua ideia conseguiria mobilizar tanta gente e fosse virar referência até no exterior. É que na primeira edição do evento, em novembro do ano passado, a Feira conseguiu reunir cerca de 200 pessoas e este ano, em suas duas edições, mesmo com chuva, reuniu mais de 300. “Fiquei muito feliz pois mesmo com chuva deu tudo certo e o evento lotou”.

O primeiro carimbo no passaporte veio com uma viagem à Tunísia para participar do Fórum Social Mundial. “Fiquei uma semana lá. Fui representar a Agência e seu projeto no Fórum Social Mundial. Foi uma experiência incrivelmente enriquecedora”, conta. Em abril deste ano, uma nova oportunidade de voar para longe. Elaine foi até Stanford, uma das mais conceituadas faculdades dos Estados Unidos falar sobre a Feira na “Conferência Iniciativas Educacionais e Empreendedoras de Suporte à Jovens em Áreas de Violência”. Para Elaine, o resultado saiu melhor do que o esperado. “Ainda estou me acostumando com a ideia de ser referência”, brinca.

A Feira procura dar visibilidade à temas de interesse da cultura negra

A Feira procura dar visibilidade à temas de interesse da cultura negra (Foto: Arquivo Pessoal)

Para Priscila, a Feira representa a ideia de valorização real da cultura, sendo feita por pessoas que passaram pelos mesmos processos de preconceito. “Movimentos organizados como esse são essenciais para o combate ao preconceito e para o reconhecimento e identidade dos negros, das mulheres, das minorias” resume.

Para Elaine, a Feira Crespa acontecer na Pavuna, local onde ela cresceu, tem um significado ainda mais relevante. “A Feira crespa ocupa um espaço público que é a Arena Jovelina Pérola Negra, na Pavuna, a última estação do metrô, lugar que é esquecido pelo estado e já somos referência. Isso é muito gratificante”, diz Elaine que usa a hastag #pavunavenceu nas redes sociais quando publica algo da Feira Crespa.

A próxima edição da Feira já tem data e muita expectativa. Vai ser no dia 7 de novembro, no mesmo lugar onde Elaine cresceu e venceu.

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