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Tabajaras e Cabritos ganham moradores


Fotos: Junior AlmeidaFotos: Junior AlmeidaA crescente verticalização nas favelas expressa o acentuado aumento da população

Apesar de faltarem números oficiais que comprovem, a sensação de dirigentes comunitários e moradores da Ladeira dos Tabajaras e Morro dos Cabritos, em Copacabana, é que a população local aumentou substancialmente, principalmente com a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), em 2010. Problemas antigos, como o difícil acesso à saúde e ao saneamento, se agravaram com a chegada de novos moradores que, em muitos casos, moravam no asfalto. 

Para Ferreira, a favela cresceu depois da UPPNa Clínica da Família João Barros Barreto, na favela, por exemplo, o limite de pacientes já foi atingido. O último cadastramento foi feito em 2011 e, hoje, muita gente fica de fora. Danilo Ferreira, presidente da Associação de Moradores da Ladeira dos Tabajaras e Morro dos Cabritos, lembra que outros serviços também não dão conta do crescimento, como o bastecimento de água e a coleta de esgotos. O dirigente comunitário diz que essas redes são antigas, e precisam de reparos e ampliação. Ele avalia que, desde 1990, a população tenha aumentado em aproximadamente 35% (com crescimento mais acentuado depois da UPP).

Daiane Almeida, representante de Relações Públicas da UPP Tabajaras e Cabritos, também observou maior demanda por imóveis, tanto para aluguel quanto para venda. De acordo com ela, a própria UPP dali é muitas vezes procurada por pessoas que desejam residências ou espaço para comércio. “A UPP traz novos ares à comunidade, sobretudo desenvolvimento. O poder público, ciente de tais transformações, procura atuar em obras de infraestrutura”, afirma. 

Expansão desordenada

A interferência do poder público na questão do crescimento populacional dali segue, no entanto, bastante tímida. Segundo a Secretaria Municipal de Habitação, a comunidade não passou pelo processo de regularização fundiária. Assim, por estarem em terrenos cuja posse não é oficial, o controle (certificado de Habite-se) sobre novas construções e reformas não existe. 

Dessa maneira, construções são erguidas em espaços de uso coletivo, áreas de proteção e de risco. Segundo Danilo Ferreira, a Prefeitura sabe disso, mas age com indiferença. De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo, é realizado um atendimento “pontual” na comunidade Tabajaras e Cabritos. 

Maria da Conceição tem três imóveis alugadosEnquanto isso, a construção de novos imóveis ou “puxadinhos” gera renda para muita gente. Maria da Conceição Borges, de 51 anos, pretende vender a licença de sua barraca, na praia de Copacabana, para investir em construções. Ela, que já construiu três imóveis com suas economias, pretende ainda construir uma loja. De acordo com a vendedora, o dinheiro gerado com o aluguel dos imóveis lhe permite ter uma vida confortável.    

A busca por casas e espaços comerciais também gera lucro para a loja de materiais de construção Bazar dos Cabritos. Segundo o vendedor Fabrício de Oliveira, o faturamento vai de “vento em poupa”, tendo aumentado em 50% nos últimos anos. Apesar do crescimento populacional ser favorável ao seu trabalho, Fabrício teme que a vida dos moradores esteja em risco por conta da construção irregular e sem planejamento.  

Fabrício, que trabalha com material de construção, constata aumento na demandaA qualidade das construções na comunidade não parece afastar novos candidatos a morador do Tabajaras e Cabritos. É o caso do ator e diretor de teatro Sandro Filizola, que mora no Catete. Ele busca um imóvel para locação na comunidade, mas tem se espantado com os preços – que acredita estarem ligados ao aumento da demanda. Filizola tem encontrado cômodo com banheiro a R$700 mensais, e quarto-sala a R$1200. Mesmo assim, para ele, os preços são compensadores. “O custo para morar na favela continua mais viável. Outro fator favorável é que nesses casos, os contratos são verbais ou no máximo formalizados em cartórios, o que afasta a burocracia e a necessidade de um fiador”, conta. 

O último dado oficial para a população do Tabajaras e Cabritos é do Censo de 2010, que contou ali 4.243 habitantes. O crescimento ali é visível, mas só poderá ser dimensionado pelo próximo Censo, em 2020.
 
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