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Lei combate o turismo exploratório nas favelas

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As favelas costumam ter vistas privilegiadas da cidade – o que fomenta o turismo nestas localidades (Foto: Amaury Alves)

Olhar a cidade do alto é um dos grandes desejos da maioria dos turistas que vêm visitar a cidade. Várias favelas do Rio contam com visuais privilegiados das paisagens naturais e outras belezas – e isso influenciou significativamente para que o mercado turístico crescesse nestas localidades. Para regularizar esta situação, o vereador Célio Luparelli, propôs para a Câmara dos Vereadores o projeto de lei nº 1599/2015, que visa tornar algumas favelas em Áreas de Especial Interesse Turístico (AEIT) que, na prática, submeteria estas localidades a um regime específico de urbanização, além de regularização da atividade turística.

No total vinte e uma comunidades estão contempladas no projeto: Andaraí, Borel, Cantagalo, Complexo da Penha, Complexo de São Carlos, Complexo do Alemão, Formiga, Mangueira, Morro da Babilônia, Morro dos Prazeres, Morro da Providência, Pavão-Pavãozinho, Pereira da Silva, Rocinha, Salgueiro, Santa Marta, Tabajaras, Tuiuti, Turano, Morro do Pinto, Vidigal e Vila Kennedy.

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O vereador Célio Luparelli é autor do projeto de lei (Foto: Arquivo Pessoal)

O que motivou Luparelli a elaborar a proposta foi ler nos jornais relatos negativos sobre as excursões guiadas por agências que não pertenciam às comunidades. Conforme o vereador, os moradores das favelas costumam chamar esses passeios de “turismo tipo safári”. “São empresas estranhas à comunidade sem a menor preocupação com os aspectos culturais, históricos e artísticos do local. Entram como se fosse uma curiosidade, como se entra em um jardim zoológico”, explica. Ele ainda atenta para o fato que o consumo no comércio local não é incentivado por estas agências. “Eles passam apenas para ver a coisa de uma maneira degradante, para ver a miséria, para ver a desgraça e saem sem qualquer tipo de interação com a cultura local.”

Luparelli declara ainda que os pontos inseridos no texto foram previamente discutidos e debatidos com os principais interessados, como representantes do Turismo Solidário da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), o site “Entenda Favela”, Rio+Social, UniRio, Fundação Getúlio, Rocinha Original Tour, Central do Complexo do Alemão, Sebrae, Contur (Rede de Conexão de Turismo em Favela), entre outras.

Ele aponta que, se aprovado o projeto, os cursos de capacitação promovidos pela Prefeitura serão desenvolvidos com base no turismo comunitário: “Eu acho que é um projeto que tem tudo para dar certo”, afirma.

Guias locais concordam com a medida

Thiago Firmino, condutor local do Morro Santa Marta, participou de todo o processo de elaboração do projeto. Ele afirma que a ideia da lei é boa, mas que é necessário ter cuidado para que sempre haja uma coesão dos interesses por parte do Poder Público, dos guias e dos condutores locais. “Tem que fortalecer sem interesse de cobranças de taxas e certificados e etc. Tem que fomentar, mas tem que fomentar o que eles não fazem. O Sebrae faz muito pouco. Você vê, falam tanto do turismo, mas não tem um curso de línguas decente fornecido pelo Sebrae para os guias locais”, reclama.

Segundo Fabiana Xavier, analista do Sebrae do Rio de Janeiro, há uma ajuda no trabalho de gestão dos empreendedores das comunidades. “Não capacitamos para uma função específica. Não temos competência para isso. Trabalhamos com o comércio que já existe. Articulamos com os empreendedores do local, mas não oferecemos nenhum curso de línguas”, explica.

O morador do Morro Santa Marta, Dilan Gutierrez, intérprete de línguas, concorda com a colocação de Thiago e pondera para que não haja uma distorção do objetivo central do projeto que é fortalecer o turismo comunitário. “O que não dá para acontecer é abandonar o de dentro e fortalecer o de fora”.

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A favela da Rocinha seria uma das beneficiadas com o projeto de lei

Elias Duarte, dono da agência de turismo TouRio e diretor da CONTUR, apóia a regulamentação do projeto. “É muito bom porque coloca emevidência o guia local. E isso é o que as empresas deveriam respeitar mas não respeitam ”. A Rede de Conexão de Turismo em Favelas é formada por guias credenciados pelo Ministério do Turismo. Segundo Duarte, as comunidades mantém guias locais credenciados e condutores locais. “Os guias locais estão autorizados a acompanhar os turistas dentro e fora da comunidade. Já, os condutores, só podem acompanhar visitantes dentro da comunidade.”

Para Gilmar Lopes, que coordena passeios nos Morros Tabajara e Cabritos, a Tabritur, a proposta é uma iniciativa válida. “Acho uma grande iniciativa este projeto de lei, pois ira ajudar a nós moradores das comunidades, que estamos nos qualificando para receber os turistas e moradores do Rio de Janeiro em nossas favelas! Quando você participa de um tour guiado por moradores, naturalmente a comunidade, o turista e nossa cidade ganham com a qualidade, os produtos que só nos conhecemos e segurança para o turista. Gerando renda e oportunidade!!”. Ao contrário de Thiago, Gilmar defende o Sebrae como parceiro. “O Sebrae é um grande parceiro, porém tem suas próprias limitações. Precisamos de outros parceiros, para nos ajudar a divulgar nossos produtos no mercado exterior, e incentivar no mercado interno”.

O guia acredita que não há interferência negativa por parte dos órgãos públicos. Observa, entretanto, que é preciso mais recursos para que o comércio local cersça. “Precisamos de mais apoio e interferência positiva dos órgãos públicos, afim de nos orientar e auxiliar na divulgação do nosso projeto”, pondera.

A proposição aguarda parecer da Comissão de Justiça e Redação. Está prevista para ser votada no primeiro semestre de 2016.

 

 

5 Respostas

  1. luiz felipe

    Interessante a iniciativa mais ainda acho mais importante o aspecto da segurança que esta em falta hoje nas pautas de projetos, esse tipo de projeto é interessante no aspecto demostrar com outros olhos as comunidades para levarem uma boa impressão pra fora mais ainda acho que é apenas captação de recurso

  2. Dylan

    Moradores de comunidades dependem dessa e de outras para poderem se estabelecer em seu próprio habitarte não deixando que hierárquicas desolem da economia e cultura local. Ótima matéria e bem colocada.

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