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Cultura negra tem espaço certo na Baixada

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O professor doutor Nielson Bezerra é o idealizador do grupo. Ele quer reunir estudantes e moradores da Baixada para discutir as questões históricas e raciais do local (Fotos: Divulgação)

Justamente por causa do Dia da Consciência Negra, que acontece no dia 20 de novembro, uma série de assuntos relacionados aos negros, sua história e cultura vêm à tona, embora o assunto necessite estar na pauta todos os dias. Há, porém, algumas iniciativas que se propõem a pensar o tema durante o ano inteiro – e o grupo Cor da Baixada é um deles.

Idealizado por Nielson Rosa Bezerra, professor da UERJ/FEBF (Universidade Estadual do Rio de Janeiro/Faculdade de Educação da Baixada Fluminense) e acadêmico da FEUDUC (Fundação Educacional Duque de Caxias), o grupo surgiu em 2013 para realizar pesquisas sobre a cultura africana e afro-brasileira no que diz respeito à questão do negro na Baixada Fluminense, além de abordar temas como a Diáspora Africana no pós-abolição nas inscrições da cultura. Hoje o Cor da Baixada conta com vários professores de história, pedagogos, entusiastas do tema e estudantes das redes pública e privada. Os encontros normalmente acontecem na FEUDUC.

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O grupo é bastante diverso e conta com estudantes, professores e interessados no tema

“Inicialmente a ideia era fazer uma abordagem mais acadêmica para então partir para o mundo escolar, mas depois foram surgindo demandas de outros públicos, pessoas que não estão nem na universidade nem na escola, mas que estão com vontade de dialogar, trocar saberes”, explica Bezerra. Nas conversas, a horizontalidade é o mais importante. “Todos podem ser agentes dos seus próprios saberes, todo mundo informa e é informado. Numa grande roda é onde se estabelecem as trocas simbólicas”, teoriza.

A Baixada Fluminense é uma região que conta com muita diversidade étnico-cultural, por isso a importância da abertura de um canal de diálogo sobre questões como gênero, religião, genocídio da juventude, homofobia, entre outros. O Cor da Baixada propõe três eixos fundamentais na hora de elaborar as discussões. O primeiro é o da pesquisa, o segundo é o da extensão e o terceiro é a troca de saberes. No primeiro, compreender as identidades é o mote. No segundo, estender as questão do negro da Baixada para sala de aula, como universidades e escolas. O terceiro é sair da perspectiva acadêmica e atuar mais diretamente com as pessoas que trabalham este tema de maneira transversal, como os mestres de cultura tradicional, por exemplo.

Trabalho em rede fortalece o movimento

A professora Edyanna Barreto, moradora de Nova Iguaçu, realiza há mais de quatro anos uma pesquisa sobre Literatura Negra Infantil Brasileira onde pretende rever a construção da identidade das crianças e como são vistas as questões do respeito e da diversidades étnico-raciais com seus alunos em sala de aula. A convite do professor Bezerra, Edyanna passou a integrar o Cor da Baixada, onde percebeu que o grupo poderia ajudar no desenvolvimento de seu trabalho de pesquisa.

“Aqui todos no grupo colocam a mão na massa, não há subdivisões. Todos se ajudam mutuamente, é maravilhosa nossa troca de saberes”, garante.

Edyanna também considera que movimentos como este são uma revolução cultural na Baixada Fluminense. “O movimento não é só no mundo acadêmico, mas atinge a área cultural que é riquíssima e diversificada, onde a maioria das pessoas que atuam não recebe financiamento do governo. É tudo na base da rede, um apoiando outro, mas ainda falta empoderamento”, aponta.

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Os encontros na FEUDUC são para dialogar, fazer pesquisas e conhecer a história da Baixada

Outra integrante do grupo, Eliana Laurentino, mostra outra faceta do grupo. Ela diz que os saberes compartilhados nos encontros a ajudaram na sensação de pertencimento da Baixada. Nascida em Belford Roxo e criada em Duque de Caxias, hoje ela mora em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, mas mais do que nunca se sente parte da Baixada. “A gente cria uma identidade com aquilo que vivemos, mas nem sempre a gente valoriza. Agora eu reconheço o valor de ter nascido aqui. É muito necessário esse tipo de trabalho formando multiplicadores”, diz ela se referindo ao trabalho com os mais jovens.

No doutorado, um dos itens da pesquisa de Eliana é procurar entender a rede de memória e o trabalho realizado junto às lideranças na Baixada que vem se destacando em Duque de Caxias. Ela acredita que a identidade étnica vai muito além da cor, mas sim da identificação ancestral.

O grupo conta com cada vez mais adeptos e acontece mensalmente na FEUDUC. Para o idealizador, Nielson Bezerra, o maior desejo é que este trabalho se espalhe cada vez mais. “Gostaria de viver e ver as pessoas se apropriarem da memória e cultura afro- brasileira e, um melhor o acesso a cultura; O outro desejo é ver o jovem negro, que hoje é vitima de extermínio, da chacina. Que este jovem possa estar em sua maioria nas universidades, transformado, e, cobrando e reconhecendo o que lhe é de direito”.

1 Resposta

  1. Boa Noite !

    Me chamo sidney estive com o Doutor Nielson creio que não lembre de mim pois havia muitas pessoa no evento então sou Intrutor de capoeira moro próximo a Fazenda São Bernadino aqui em Nova Iguaçu eu e meus alunos estamos a disposição para o bem de nossa baixada, zap 97514-2799.

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