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Campanha mostra favela além do que se vê

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“A única história cria estereótipos. E o problema com estereótipos não é que eles sejam mentira, mas que eles sejam incompletos. Eles fazem uma história tornar-se a única história.” Esse trecho do discurso da escritora nigeriana Chimamanda Adichie na série de conferência TED Talks, mostra a ideia central por trás da campanha “Favela 3D: Jovens disputam imaginário popular”, trabalho de conclusão de curso da turma 2015/2016 da Escola Popular de Comunicação Crítica (ESPOCC), projeto do Observatório de Favelas. O objetivo do trabalho é quebrar estereótipos e mostrar a favela como local de potência e diversidade. Pedro Cruz, aluno da turma de audiovisual do projeto, afirma ser importante tirar os estigmas que envolvem a favela e mostrar outros olhares, fazendo circular outras histórias que existem dentro desses territórios. “Quem experimentar colocar Complexo da Maré no Google imagens vai encontrar muitas fotos com o mesmo tema, que é a violência, mas a Maré não é só isso”, garante Pedro.

Pedro Cruz afirma que é preciso quebrar estereótipos. | Foto: Paulo Barros

Pedro Cruz afirma que é preciso quebrar estereótipos. | Foto: Paulo Barros

“É claro que a violência existe, o objetivo não é negá-la e nem romantizar a vida na favela, mas mostrar que existem muitas histórias inspiradoras também”, afirma Lethícia Barcellos, aluna da ESPOCC e moradora da Maré.

O projeto, que tem o slogan “Muito além do que se vê”, lançou um manifesto para falar da favela como potência a partir dos três D’s que norteiam a campanha: Disposição, Diversidade e Direitos, mostrando o potencial dos jovens e a diversidade das histórias presentes na favela.

O trabalho de conclusão de curso começou com intervenções artísticas com stencil- técnica ligada ao grafite para aplicações rápidas de imagem- nos muros da cidade. Mostrando um pouco da variedade presente na comunidade, um Flash Mob, na Nova Holanda, misturou dançarinos do passinho com a Orquestra na Maré, na quarta-feira (19), mesmo com uma operação policial acontecendo na comunidade. Outra realização da campanha foi a Conferência 3D, com exibição de peças de teatro e bate papo no Centro de Artes da Maré, que é palco da ocupação 10 anos da Cia Marginal, grupo de teatro que nasceu no Complexo de Favelas da Maré.

Na coletiva organizada na sexta-feira (20) para divulgar a campanha, foram passados vídeos feitos pelos alunos de audiovisual da turma formanda na ESPOCC. O primeiro mostrou a ocupação das escolas estaduais no Rio de Janeiro, que já somam 77, sob a perspectiva dos alunos, que estão organizando o movimento. Ainda sobre jovens empoderados, o segundo vídeo mostrou a história da moradora do Complexo da Maré Ana Paula Lisboa, formanda em letras que hoje escreve sobre o local onde mora no segundo caderno do O Globo, do qual é colunista. Ela também faz parte da equipe de coordenação da Agência de Redes Para Juventude e é colaboradora da revista feminista Revista AzMina .

"Compartilhaço" afirma direitos dos moradores da favela. |Foto: Paulo Barros.

“Compartilhaço” afirma direitos dos moradores da favela. | Foto: Paulo Barros

“Todo favelado tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”.

A partir do dia 25 de maio, um “Compartilhaço” vai chamar a atenção de quem passa pela Avenida Brasil, com frases adaptadas da Declaração Universal dos Direitos Humanos – DUDH, que estarão expostas em faixas de três passarelas da Avenida.

O projeto continua com ações ainda na quarta-feira (25), com o Papo 3D, que promove uma troca de experiências positivas de pessoas atuantes dentro das favelas do Rio. No sábado (28), haverá a formatura dos alunos e a festa de encerramento do projeto.

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