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Site alternativo dá visibilidade no exterior

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Nos últimos anos o Brasil tem sido pauta frequente para a mídia internacional. Grandes veículos como The New York Times, Le Monde, El País e The Economist deram visibilidade ao país no cenário jornalístico internacional, principalmente por causa da Copa do Mundo. Mas as manifestações e os conflitos nas favelas cariocas também são destaque.
 
Aos olhos da mídia estrangeira o Brasil ainda é visto de forma negativa. Em abril desse ano, a revista britânica The Economist publicou em seu site uma reportagem que classifica os brasileiros como preguiçosos. Com o título "Soneca de 50 anos", a matéria diz que os brasileiros "devem sair de seu descanso paralisante" para ajudar a melhorar a economia.
 
A  imprensa estrangeira também noticia como positiva as políticas municipais de intervenção em favelas, embora faça crescentes denúncias sobre a violação de direitos humanos por parte do estado e reportagens abordando as desigualdades geradas pelo crescimento das grandes cidades.
 
A jornalista Silvana Bahia, do Observatório de Favelas, explica que essa visão não representativa anula a voz dos moradores da favela. “Acho importante que os veículos internacionais noticiem o que acontece no Brasil, uma visão de fora sobre o país, mas penso que a apuração dessas matérias deve ser feita de forma que amplie o número de vozes sobre os assuntos. Não dá para falar de favela sem falar com quem vive  a favela. O diálogo é essencial para o estabelecimento de uma convivência ampla e, acima de tudo, respeitosa”.
 
Em maio de 2010, a ONG Catalytic Communities (ComCat), lançou o Rio Olympics Neighborhood Watch (RioOnWatch), um site  para trazer visibilidade às vozes das favelas e das comunidades cariocas no contexto dos preparativos para as Olimpíadas de 2016. O site RioOnWatch.org é o principal veículo para a publicação de notícias de lideranças comunitárias, moradores e observadores internacionais. As pautas falam das transformações urbanas aceleradas, que atualmente caracterizam a cidade do Rio de Janeiro, e se destacam as que abordam a violação dos direitos humanos.  
 
O objetivo da ComCat é transformar a opinião pública global sobre as favelas cariocas, consideradas as comunidades urbanas mais estigmatizadas do mundo. "O RioOnWatch.org  é, cada vez mais, uma referência mundial, por fazer uma ponte entre o hyper-local e o global, fazendo com que pessoas, em qualquer lugar do planeta, possam acompanhar notícias nas favelas do Rio. Fomos, por exemplo, os primeiros a publicar matérias sobre a nova onda de remoções começando em 2010 e , também, os primeiros a apresentar a ideia de que o processo de gentrificação estava se iniciando nas favelas em 2011", destaca a editora executiva do site. Theresa Williamson.
 
Outra proposta do RioOnWatch é aumentar a participação de jornalistas da comunidade e observadores internacionais na elaboração de relatórios sobre as transformações do Rio de Janeiro. Os correspondentes são remunerados pelas pautas produzidas. “Não exigimos formação ou qualificação formal de jornalismo para o site, pois acreditamos que isso limita a qualidade e a diversidade de vozes, o que seria contra o nosso objetivo, a democratização da informação e da comunicação. Mas trabalhamos com os correspondentes para garantir o padrão de qualidade do conteúdo, e na edição para manter a qualidade da forma escrita", explica Theresa. 
 
Existe um papel social em sua linha editorial. O site possui três editorias: denúncias, política e soluções. E todo o conteúdo é traduzido para o inglês. Os correspondentes são remunerados pelas matérias produzidas. Outra proposta do RioOnWatch é aumentar a participação de jornalistas da comunidade e observadores internacionais na elaboração de relatórios sobre as transformações do Rio.
 
“Veículos alternativos são importantes para a contribuição de novas representações e narrativas sobre lugares e sujeitos. Isso, sem dúvida, fortalece a diversidade dos pontos de vista de um fato. O trabalho do RioOnWatch é central trazendo a visão de fora para dentro e a visão de dentro para fora ”, resume a jornalista Silvana Bahia.
 
Pautando a mídia internacional

No final de 2010, quando começaram acontecer as primeiras remoções na Favela do Metrô, na Mangueria, no Recreio e adjacências, e em outros locias, o RioonWatch enviou colaboradores para apurar os fatos. Eles fizeram vídeos no RioOnWatchTV no YouTube, documentando essas remoções e suas matérias foram publicadas. O RioOnWatch foi, portanto,  o primeiro canal de comunicação a traduzir este material para o inglês. E, com isso, a grande mídia os encontrou.

O projeto é maior do que o site: “Promovemos o protagonismo do morador na narração de acontecimentos e no entendimento das questões da favela. O trabalho inclui uma estratégia de suporte à mídia internacional para cobrir as favelas do Rio de forma justa e precisa. O jornal internacional nem sempre procura entender o porquê, a origem dos problemas relatados, e nem entrevistar moradores impactados ou protagonistas e ativistas locais. Contam casos como se fossem regras, sem investigar o contexto que criou o caso”, constata a editora.
 
O site de notícias RioOnWatch, por ser administrado por uma organização sem fins lucrativos que funciona como uma grande rede de colaboradores,  é independente e tem a liberdade tanto de pesquisar profundamente certos tópicos, quanto de publicar matérias que não gerarão ibope, simplesmente por serem importantes na documentação de vozes e acontecimentos" , explica Theresa.
 

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